'No começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade' - Chico Mendes

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Nossa ecovila – o inicio

Por • 1 jun 2010 • Categoria: Notícias, Prática, ProjetosNão há Comentários »

No início deste ano, começamos a organizar um grupo de discussão para construção da nossa ecovila, em Piracicaba.

Estamos, agora, em uma fase de definir os valores comuns entre os membros do grupo, agregar novos interessados, divulgar a idéia etc…

Definimos, como base filosófica,  um tripé conceitual formado pela Permacultura, pela Economia Solidária e o pelo Cohousing.

A Permacultura, com seus princípios éticos e de design, nos trás uma luz sobre os padrões naturais e as relações que encontramos na natureza, e nos guiará na configuração de todos os elementos da ecovila, sejam eles elementos físicos (a casa, a horta etc), sejam eles conceituais (tomadas de decisões etc).

A Economia Solidária propõe uma nova forma de economia, onde o centro das atenções é o bem estar e a qualidade de vida. Ela deve nos indicar os caminhos na formação de redes de colaboração (produção, consumo, trocas), integrando a nossa comunidade com o seu entorno.

O Cohousing, mais do que um conceito, é uma prática. É saber constituir uma comunidade harmônica. É transformar uma comunidade em uma família (com seus pontos positivos e negativos), dividindo responsabilidades , exercitando a tolerância e o respeito, compartilhando felicidade e, algumas vezes, tristezas. Tudo isso, sem perder o nosso sagrado cantinho de privacidade.

É impressionante verificar como estes conceitos se integram e se cruzam perfeitamente. Sempre falo do exemplo da lavanderia comunitária (um elemento de cohousing) que centraliza grande parte dos nossos resíduos cinzas (águas que não vem do banheiro) que poderão ser eficientemente reaproveitados (utilizando a permacultura) e que utilizará vários insumos, como o sabão em pó, que será comprado coletivamente (um conceito da economia solidária). Interessante, né?

Claro, muitas outas ferramentas estão nos ajudando a desenhar o nosso sonho (em outros posts exploramos estes conceitos). Mas, sem dúvida, estamos descobrindo que a nossa principal ferramenta é o coração. Estamos aprendendo a falar e, principalmente, OUVIR com o coração. E não só com paixão, que é só uma das facetas desta ferramenta, mas com respeito, com amor e carinho, entendendo os anseios do próximo e sabendo colocar suas opiniões com delicadeza e equilíbrio.

Ainda está tudo muito no começo, mas eu já posso afirmar que essa jornada é fantástica, desde os primeiros passos.

Bom, encerro por aqui, passando os dois primeiros slides, resultado da nossa última reunião. Este slides refletem um pouco de como o grupo entende os princípios da ecovila e foram estruturados sob os elementos apresentados pelos fundadores da Permacultura, David Holmgren e Bill Mollison.



Espírito de mutirão

Por • 22 mai 2010 • Categoria: Notícias, Prática, Projetos2 Comentários »

Sábado passado, dia 15 de maio de 2010, iniciamos o primeiro de uma série de mutirões que queremos promover.

Na verdade, a idéia é promover o “Espírito de mutirão”. Para tanto, estamos reunindo, em um grupo local (Piracicaba), interessados em participar de mutirões de construção natural, tecnologias sociais e agroecologia. Estamos desenvolvendo, também, uma rede social para articulação de mutirões e construção de ecovilas (conto mais em outro post).

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O local…

Este primeiro mutirão aconteceu no Centro Rural de Educação Ambiental – Dr.Kok, localizado na área rural de Piracicaba (bairro Godinhos). O Centro Rural é mantido pela Secretaria da Educação de Piracicaba e coordenado pelo “ponta firme” Lindomar.
O centro desenvolve um trabalho de educação ambiental, oferecendo experiências ambientais e de sustentabilidade para os alunos das escolas da região, em parceria com seus professores. O CREA-Dr.Kok é o Centro de Referência do nosso grupo de mutirões, onde fazemos os testes das técnicas que queremos aplicar. Porém, já estamos organizando mutirões por toda a região, incluindo espaços urbanos.

O primeiro desafio…

Nosso primeiro desafio foi a construção de um viveiro de flores, utilizando uma cúpula geodésica como estrutura da edificação. O material utilizado para a construção da cúpula foi o tubo de PVC reciclado, doado pela TUBOCON, uma empresa local que nos foi muito solícita quando apresentamos o projeto.

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Cálculos na ponta do lápis…

O primeiro passo foi escolher o tamanho da cúpula, a sua complexidade (chamada de frequência, ou o número de variedades nos tamanhos das peças), calcular os tamanhos das peças, as distâncias de seus furos, entre outras coisas. Para isso, utilizamos o fantástico site www.desertdomes.com, que nos forneceu ferramentas práticas e dicas valiosas para concluir esta tarefa. Decidimos fazer uma cúpula de 3 metros de raio com frequência 2 (2 tamanhos de peças). Ótima pedida para quem vai fazer uma geodésica pela primeira vez (complexidade baixa e altura razoável).

Mãos a obra…

No passo seguinte iniciamos a preparação das peças…

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Cortamos os tubos de PVC em peças de 1,90m e 1,70m.
Achatamos as extremidades de cada peça utilizando uma engenhoca e uma “metodologia” própria…rs…(achamos esta fase a mais trabalhosa de todas, porém nada demais…rs).
Fizemos as furações seguindo os cálculos do site (adaptados para nossa situação).

O Almoço também é mutirão…

Enquanto isso, uma parte do grupo preparava o almoço.
É importante destacar que em um verdadeiro mutirão, diversos trabalhos são compartilhados durante o evento, como alimentação e bem estar do grupo, cuidado com as crianças, ambiente celebrativo (música, etc), entre outros.

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Parte do nosso almoço saiu das hortas do Centro Rural. A educação ambiental permeia todos os espaços e situações.

De volta ao trabalho…

Depois do almoço e de algum descanso, voltamos ao trabalho com o fase de montagem. Como escolhemos uma cúpula não muito alta e com uma complexidade baixa (dois tipos de peças), esta fase foi tranquila e muito divertida. Aperta parafuso aqui, entorta extremidade de cano ali e a cúpula vai se formando e assentando suas peças.

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Cúpula pronta!

Apesar de seu tamanho, a estrutura ficou suficientemente leve para que cinco pessoas pudessem carregá-la para seu destino final.
Ainda falta instalar a cobertura da cúpula que será feita com um sombrite. Parafusos e sombrite foram comprados pela Secretaria da Educação.

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Conclusão…

Finalizado o mutirão, a euforia era geral. Mutirão é uma daquelas atividade que você não consegue expressar com palavas. Tem que participar para entender. Os mutirões se beneficiam da força da cooperação e a sabedoria coletiva para transformar o trabalho árduo em algo produtivo, lúdico e celebrativo.

O produto do trabalho colaborativo vai, sempre, muito além das expectativas pois constroem, principalmente, NOVAS RELAÇṎES (entre pessoas e com o meio-ambiente, além de muitos outras relações sutis, difíceis de descrever).

Os próximos mutirões vem ai!…

Já estamos preparando os próximos mutirões. Entre eles uma cúpula de 4 metros e frequência 3, um canteiro bio-séptico, as construções de terra, as modificações sustentáveis no escritório do Rodrigo e do Cristiano (no centro da cidade). TODOS ESTÃO CONVIDADOS !!!

FOTOS DO MUTIRÃO:
http://picasaweb.google.com/lardocelar/MutiraoViveiroDeFloresCupulaGeodesica

De volta à ativa…e longe da selva de pedra

Por • 13 mai 2009 • Categoria: Filosofando, Notícias, ProjetosNão há Comentários »

Após algum “tempo sem tempo”, estou de volta à ativa…
Durante o período que estive ausente, muita coisa aconteceu…

Mudamos para Piracicaba (interior de SP)…
A Lu iniciou um projeto de pós-doutorado na ESALQ-USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) e, portanto, seria uma grande oportunidade de iniciarmos uma vida longe da grande metrópole. Eu adorei a idéia, pois meu trabalho é todo online e, portanto, não teria problema em continuá-lo em outra cidade.

Algumas vantagens foram alcançadas, com esta mudança, em relação ao nosso projeto de vida:

  1. Certamente, em São Paulo, acontecem muito mais eventos (palestras, cursos, oficinas,…) sócio-ambientais que em Piracicaba, mas por uma questão de escala, a sensação é de que aqui esteja rolando muito mais coisa. E tudo está a uma distância viável (e sem trânsito, é claro…rs).
  2. Em Piracicaba temos, em curtas distâncias, o meio urbano, peri-urbano e rural. Isso traz grandes vantagens para quem quer estudar soluções de sustentabilidade.
  3. Aqui temos a ESALQ-USP, que é uma escola de agronomia reconhecida como referência mundial no assunto. E agricultura é um assunto fundamental para as questões  sócio-ambientais.
  4. Estamos a, mais ou menos, 2 horas de São Paulo, o que nos possibilita estar sempre com nossa família, seja indo à metrópole ou, principalmente, recebendo-os por aqui.
  5. E a natureza….aaahhhh…a natureza… Sobre isso eu não preciso escrever, basta dar uma olhada nas imagens, no fim deste post.
  6. É importante ressaltar que Piracicaba não é um paraiso sócio-ambiental, nem um modelo de sustentabilidade. Longe disso! Existem inúmeros desafios para enfrentar e isso torna a cidade ainda mais interessante.

Resumindo: ganhamos em qualidade de vida, temos mais tempo para fazer as coisas que realmente achamos importantes, criamos um local de refúgio para amigos e parentes que querem dar um tempo na cidade grande, temos a oportunidade de estar em contato com o meio rural, estamos em uma cidade carente de soluções sócio-ambientais, entre muitas outras vantagens sutis…

Nos próximos posts vou contar um pouco dos eventos sócio-ambientais que já participamos nestes dois primeiros meses de Piracicaba.

E AGORA, AS IMAGENS…