“Não somos ricos pelo que temos, mas sim pelo que não precisamos ter” - Emmanuel Kant

Posts da categoria ‘Filosofando’

Recapitulando…

Por ricardo • 25 out 2009 • Categoria: FilosofandoNão há Comentários »

Pessoal, como o blog está para completar 1 ano de vida e ficamos um tempinho sem adicionar novos posts, decidi recapitular (para nós mesmos) o objetivo deste blog, destacar alguns posts, além de apresentar os novos projetos que serão temas recorrentes, nos nossos futuros posts.

Gostaria de destacar que o projeto do blog nasceu da idéia de documentar e compartilhar as experiências de uma ‘jornada’ que eu e minha esposa decidimos trilhar. Essa ‘jornada’ seria uma busca por um estilo de vida que refletisse nossos valores, crenças, filosofias. Em síntese, buscamos um estilo de vida que valorize a felicidade e a qualidade de vida, por meio da cooperação e da vida comunitária.

Esperamos, com o blog, trocar informações que nos ajudem nesta ‘jornada’ e que inspirem outras pessoas que estão em busca de seus sonhos.

Para tanto, nos mudamos de São Paulo para Piracicaba, nos envolvemos com vários projetos em uma ONG local e estamos iniciando o projeto de uma ecovila urbana. Estes foram os primeiros passos no intuito de experimentarmos uma vida mais frugal, sustentável e comunitária, bem pertinho da mãe natureza.

O BLOG:

Apresentação: http://www.ecosofando.com.br/o-site/

Motivação:

Alguns posts em destaque:

PROJETOS RELACIONADOS:

Os projetos, apresentados a seguir, serão temas recorrentes dos futuros posts do blog.

Workshops de sustentabilidade doméstica:
Em parceria com a ONG Instituto Ambiente em Foco, o Ecosofando vai promover workshops itinerantes, nas comunidades de Piracicaba, para divulgar e absorver soluções em sustentabilidade doméstica (reciclagem, reaproveitamento etc). Essas reuniões visam criar uma rede de sustentabilidade fundamentada na sabedoria popular, criando agentes multiplicadores destas pequenas, mas impactantes, soluções caseiras.

Grupo de trabalho de Tecnologias Sociais Comunitárias:
Proposta: Articular ações comunitárias em torno do desenvolvimento e da difusão de tecnologias apropriadas, dos pontos de vista ambiental, econômico e sócio-cultural (hortas domésticas e comunitárias, energias alternativas e soluções de saneamento de baixo custo, entre outros – http://www.institutoaf.org.br/tsc).
Apresentação: http://www.institutoaf.org.br/areas-tematicas/tecnologias-socias-comunitarias/saiba-mais/

Engajados: rede social digital para articulação de coletivos sócio ambientais.
Utilização dos conceitos de redes sociais digitais (Facebook, Orkut, Namoroonline, entre outros) para articulação de grupos engajados nos temas sócio ambientais. (EM DESENVOLVIMENTO).

Ecovila urbana:
Experiência vivencial em assentamento humano sustentável. Estamos articulando a construção de uma ecovila urbana, em Piracicaba, para absorção e difusão de soluções integrais para uma vida sustentável e solidária. Para saber mais sobre ecovilas: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecovila

Se alguem quiser saber um pouco mais sobre estes projetos, por favor, entre em contato conosco!

Abraços

Ecos do cerrado

Por ricardo • 14 jul 2009 • Categoria: Filosofando, Prática2 Comentários »

Imagine um cenário futurístico que mescle construções estranhas (geodésicas, parabolóides hiperbólicas…) e equipamentos esquisitos. Acrescente uma flora marcante e uma fauna abundante (tucanos, borboletas, morcegos, calangos,…). Adicione belas paisagens, como um por de sol de tirar o fôlego. Imagine, também, um grupo de pessoas totalmente diversificado. Diferentes culturas, diferentes idiomas, diferentes ideologias e objetivos, mas com algo em comum, um desejo enorme de construir habitações com o mínimo de impacto ambiental. Imaginou? Ainda assim é pouco para entender o que ocorreu no Bioconstruindo 2009, que aconteceu do dia 5 até o dia 12, deste mês, no Ecocentro IPEC, em Pirenópolis-GO.

O IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado) é um centro de excelência em sustentabilidade que reúne um ecocentro e uma ecovila (assentamento humano de impacto sócio ambiental positivo), totalmente estruturados sob a luz da Permacultura. Entre os diversos cursos e vivências oferecidas pelo instituto, os três mais conhecidos são o PDC (Permacultura – Design e Consultoria), o Ecovilas e o Bioconstruindo, no qual eu fiz parte, este ano.

Neste curso, foram oferecidas oficinas e palestras sobre as técnicas de bio-construção. Técnicas sociais eficientes, sustentáveis e em contínuo desenvolvimento. Construímos paredes, jardins sobre telhados, cisternas de captação de água da chuva, canteiros bio-sépticos para tratamento de águas cinzas e negras, e construímos, principalmente, novas relações. Construímos relações inéditas com a natureza, com o habitar, com o cooperar, com o próximo, com o “nem tão próximo”, com o celebrar, com a vida.

É incrível ver emergir, a olhos vistos, estruturas magníficas, pelas mão nem sempre coordenadas e sincronizadas de um grupo que pensa diferente, mas trabalha em conjunto, numa dança de erros e acertos que só se mostra perfeita quanto avistamos sua totalidade.

É verdade…essa semana mexeu comigo…será que é isso que chamam de experiência mística?

Construí amizades que mesmo que não durem para sempre, com certeza, nunca serão esquecidas, pois fazem parte de mim.

Mas construí, principalmente, uma certeza……é possível “bio-construir” uma nova sociedade.

Essa nova sociedade deve nascer, não de iniciativas centralizadas, controladas e coordenadas, mas de um número incontável de novas relações entre as pessoas e entre as pessoas e o meio ambiente. Não deve acontecer rapidamente, mas no tempo da natureza, onde as coisas amadurecem no tempo certo. Não é uma nova sociedade em suas partes, mas em como essas partes se organizam como um todo.

Eu sei…Eu sei…é muita coisa para concluir em uma semana.
Claro, esta experiência intensa só veio “colocar os pingos nos is” em algo que já estava surgindo dentro de mim.

Como é bom ter uma experiência nova e especial em uma vida marcada pela rotina e pelo desenvolvimento individual.

Valeu a pena! Já voltei para a cidade, mas ainda vou ouvir, por muito tempo, os ecos do cerrado…

MINHAS FOTOS DO BIOCONSTRUINDO 2009

MAIS FOTOS DO BIOCONSTRUINDO 2009

Para saber mais:

Consumo local e agroecológico – saúde e solidariedade são os pratos do dia (parte 2)

Por ricardo • 16 mai 2009 • Categoria: Consumo, Filosofando, Prática4 Comentários »

Continuando o post anterior, eu gostaria de abordar as bases estruturais e as dificuldades enfrentadas, discutidas no evento “Troca de experiências entre alianças urbano-rurais”, promovido pelo SESC-Piracicaba.

Sobre as redes de produção e consumo…

As bases estruturais, comuns, entre as redes de produção e consumo de produtos locais agroecológicos, apresentadas neste debate, foram:

  • Formação de rede de produtores locais (fornecedores);
  • Formação de núcleo de consumos (consumidores);
  • Respeito aos princípios da agroecologia, da economia solidária, do comércio justo e do consumo responsável;

Muitos aspectos deste debate me chamaram atenção e, aqui, destaco alguns deles:

  • Muitos produtores da rede não são certificados como produtores orgânicos (pelo custo da certificação, acesso às informações, entre outros motivos). Porém, durante o processo de incubação destes produtores, eles são examinados, instruídos e monitorados, garantindo, assim, a boa procedência de seus produtos;
  • Achei muito interessante um comentário de uma das produtoras rurais que fazem parte da rede de Piracicaba (correção: esta produtora se chama Ana , faz parte da rede de São Paulo e pertence ao projeto Mãos e Mentes de Parelheiros): “Não é porque você não estuda que você vai para a roça, para ir para a roça você tem que estudar” – mostrando sua preocupação com a reciclagem de conceitos, o que é fundamental para a mudança da produção tradicional para a agroecológica;
  • Ficou muito claro, por diversas declarações, que os assuntos agroecologia e solidariedade, são inseparáveis no contexto destas redes;

Algumas das dificuldades…

Algumas dificuldades para manter e ampliar o acesso e a penetração destas redes em nossa sociedade foram discutidas durante o evento. Destaco algumas delas:

  • Ainda não existe uma organização técnica entre estes produtores, e isso é algo que é almejado pela rede de Piracicaba, formada, principalmente, por profissionais de agronomia;
  • O problema de percepção do consumidor. Existe uma idéia comum de que os produtos orgânicos são artigos de luxo. Isso acontece muito porque os produtos orgânicos que temos contato, no dia-a-dia, são aqueles na prateleira do supermercado. Os preços, formados nesta situação, são conseqüência de uma seqüência interminável de atravessadores e custos de transporte e armazenagem. Diferentemente, os produtos agroecológicos locais, comprados diretamente do produtor, têm os seus preços compostos pelo preço do produtor e um elemento de manutenção das redes de distribuição (baseados no conceito da Economia Solidária). Os preços dos produtos orgânicos da rede, portanto, equivalem ao preço dos produtos tradicionais.
  • O problema da expectativa do consumidor (I). Vivemos em uma sociedade que valoriza a estética sobre a saúde. A fantástica aparência dos produtos tradicionais, muitas vezes alcançada por meio da utilização de grande número de substâncias tóxicas, é um atrativo poderoso, aos olhos do consumidor. Alguns produtores optam pela produção tradicional e a utilização de agrotóxicos para adequar sua produção aos padrões de “qualidade” definidos pela mídia e pelo consumidor;
  • O problema da expectativa do consumidor (II). Perdemos a noção dos ciclos naturais. Achamos que a natureza produz qualquer coisa, a qualquer momento, em qualquer quantidade.  A produção agroecológica respeita estes ciclos, portanto, não pode oferecer todos os produtos que o consumidor deseja, na hora que deseja;
  • No caso de Piracicaba, existe uma carência enorme de produtores agroecológicos locais, para formação das redes de produção. Conseqüentemente, a oferta e diversidade de produtos, comercializados pelas redes, ainda são muito pequenas;

Opinião 1…

Gostaria de incluir mais um aspecto que dificulta a adoção de um consumo responsável, destes produtos. Percebi, durante o evento e pela experiência como consumidor da rede, uma tendência à crença de que o consumidor destes produtos tenha que ser um consumidor consciente, engajado e “mente aberta”. Não discordo que, para adotar estas práticas, o sujeito deva estar aberto a experiências. Porém, não acho que estas iniciativas devam mirar somente este perfil. Aliás, eu acho que elas devem privilegiar ações para atingir o “consumidor inconsciente” e cheio de preconceitos (educando e criando estratégias para isso). Pois esta é a grande massa e, se apontarmos para ela, vamos ter uma grande chance de atingir todos os públicos. Digo isso pois deixei de consumir alguns produtos da rede (e consequentemente, comecei a comprar nas grandes redes) pois as dúvidas que enviei, sobre conservação do produto entre outras questões, não foram respondidas. Se queremos formar uma rede de consumidores conscientes temos que tratar muito bem o consumidor. Pois ser inconsciente é MUITO mais fácil.

Opinião 2…

Quanto à falta de diversidade e oferta de produtos orgânicos, eu gostaria de deixar uma idéia no ar… O conceito de horticultura comunitária (horta doméstica e coletiva, urbana ou peri-urbanas, em comunidades carentes) não poderia ser uma solução perfeita para este problema? Além de aumentar a oferta e a diversidade de produtos agroecológicos causaria um enorme efeito social, aumentando a segurança alimentar e a renda destas comunidades carentes.

Você acha que horticultura urbana agroecológica é uma utopia? Então conheça o caso de Cuba, que precisou se adaptar totalmente, após a queda da União Soviética, no chamado Período Especial. Seguem alguns textos e vídeos sobre este assunto:

O exemplo de Cuba
Agroecologia en Cuba (em espanhol): parte 1, parte 2 e parte 3
Urban Food Growing in Havana, Cuba (em inglês)

Para saber mais…

Para saber mais sobre este assunto ou se tornar um consumidor mais saudável e solidário, seguem os dados das redes presentes no evento:

Sementes da Paz (São Paulo):
http://www.moradadafloresta.org/content/blogsection/9/39/
http://atitudeeco.com/site/?page_id=302

Rede de Produção e Consumo Solidário (Piracicaba):
http://www.terramater.org.br/rede

Consumo local e agroecológico – saúde e solidariedade são os pratos do dia (parte 1)

Por ricardo • 15 mai 2009 • Categoria: Consumo, Filosofando, Prática2 Comentários »

Adoro debater sobre atitudes que geram grandes impactos em rede. O consumo de produtos locais agroecológicos é um dos meus assuntos preferidos.

Nos mês passado, participei de um encontro chamado “Troca de experiências entre alianças urbano-rurais”, promovido pelo SESC-Piracicaba. Neste evento estavam presentes a Rede Sementes da Paz (São Paulo), a Rede de Produção e Consumo Solidário (Ong Terramater – Piracicaba), o movimento Slow Food de Piracicaba, alguns produtores rurais, além de vários curiosos (como eu).

A Rede de Produção e Consumo Solidário eu já conhecia, pois compro seus produtos desde que me mudei para Piracicaba. Toda sexta-feira, eu faço minha lista de pedidos e envio pela internet. Toda terça-feira, busco os alimentos locais e agroecológicos, fresquinhos, no ponto de coleta.

A Rede Sementes da Paz eu conheci quando fui comprar as minhocas para o meu vermicompostor, na ecovila urbana Morada da Floresta, que é um dos núcleos de distribuição dos produtos da rede.

Já o Slow Food, que é um movimento de resgate às nossas tradições gastronômicas e das relações humanas relacionadas à alimentação (como reunir a família e os amigos para um jantar), eu só tinha conhecimento por artigos de internet. O Slow Food foi criado na Itália em 1986 e seu nome foi desenvolvido como um protesto ao Fast Food.

Os benefícios do consumo orgânico local…

Os benefícios de uma alimentação orgânica (agro-ecológica, como é preferível chamá-la, atualmente) para a saúde, já é bem difundida. Sabemos que a ausência de elementos provenientes dos pesticidas e os outros agrotóxicos trás grandes benefícios a nossa saúde.

Sabemos, também, que o consumo de produtos agroecológicos locais, tem um importante papel ambiental, seja pela eliminação do uso de substâncias poluentes que desequilibram os ciclos naturais, seja pela redução na emissão de gases relacionados ao aquecimento global (GEE), pois os produtos não precisam de transporte de longa distância.

Porém, os benéficos sociais desta prática, ainda são desconhecido pela grande maioria. Consumir produtos comprados diretamente do produtor aumenta a chance de sobrevivência destas comunidades e famílias que, na ausência destas iniciativas, têm que se submeter às regras absurdas das grandes redes de comercialização e da pressão que os inúmeros atravessadores exercem sobre o preço de venda do seu produto. Os agricultores familiares acabam tendo que pagar para trabalhar e muitos destes acabam, inevitavelmente, interrompendo sua produção (tanto para consumo próprio, quanto para comercialização) em busca de uma nova forma de ganhar a vida. Muitos outros problemas sociais e ambientais podem surgir a partir deste cenário.

Existe um outro aspecto social envolvido no consumo destes produtos, relacionado ao momento da retirada dos produtos encomendados. Todos os consumidores devem buscar seus produtos em um determinado núcleo de distribuição. Esta interação entra consumidores (e alguns produtores) cria algumas relações interessantes e fortalece o grupo, como um todo.

Portanto, consumir produtos agroecológicos locais tem um impacto positivo imenso na rede de relações humanas e ambientais, que formam a nossa realidade.

VAMOS ADERIR A CAUSA?!!

Para saber mais…

Para saber mais sobre este assunto ou se tornar um consumidor mais saudável e solidário, seguem os dados das redes presentes no evento:

Sementes da Paz (São Paulo):
http://www.moradadafloresta.org/content/blogsection/9/39/
http://atitudeeco.com/site/?page_id=302

Rede de Produção e Consumo Solidário (Piracicaba):
http://www.terramater.org.br/rede

De volta à ativa…e longe da selva de pedra

Por ricardo • 13 mai 2009 • Categoria: Filosofando, Notícias, ProjetosNão há Comentários »

Após algum “tempo sem tempo”, estou de volta à ativa…
Durante o período que estive ausente, muita coisa aconteceu…

Mudamos para Piracicaba (interior de SP)…
A Lu iniciou um projeto de pós-doutorado na ESALQ-USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) e, portanto, seria uma grande oportunidade de iniciarmos uma vida longe da grande metrópole. Eu adorei a idéia, pois meu trabalho é todo online e, portanto, não teria problema em continuá-lo em outra cidade.

Algumas vantagens foram alcançadas, com esta mudança, em relação ao nosso projeto de vida:

  1. Certamente, em São Paulo, acontecem muito mais eventos (palestras, cursos, oficinas,…) sócio-ambientais que em Piracicaba, mas por uma questão de escala, a sensação é de que aqui esteja rolando muito mais coisa. E tudo está a uma distância viável (e sem trânsito, é claro…rs).
  2. Em Piracicaba temos, em curtas distâncias, o meio urbano, peri-urbano e rural. Isso traz grandes vantagens para quem quer estudar soluções de sustentabilidade.
  3. Aqui temos a ESALQ-USP, que é uma escola de agronomia reconhecida como referência mundial no assunto. E agricultura é um assunto fundamental para as questões  sócio-ambientais.
  4. Estamos a, mais ou menos, 2 horas de São Paulo, o que nos possibilita estar sempre com nossa família, seja indo à metrópole ou, principalmente, recebendo-os por aqui.
  5. E a natureza….aaahhhh…a natureza… Sobre isso eu não preciso escrever, basta dar uma olhada nas imagens, no fim deste post.
  6. É importante ressaltar que Piracicaba não é um paraiso sócio-ambiental, nem um modelo de sustentabilidade. Longe disso! Existem inúmeros desafios para enfrentar e isso torna a cidade ainda mais interessante.

Resumindo: ganhamos em qualidade de vida, temos mais tempo para fazer as coisas que realmente achamos importantes, criamos um local de refúgio para amigos e parentes que querem dar um tempo na cidade grande, temos a oportunidade de estar em contato com o meio rural, estamos em uma cidade carente de soluções sócio-ambientais, entre muitas outras vantagens sutis…

Nos próximos posts vou contar um pouco dos eventos sócio-ambientais que já participamos nestes dois primeiros meses de Piracicaba.

E AGORA, AS IMAGENS…

Os animais abandonados são nossa responsabilidade!

Por ricardo • 25 jan 2009 • Categoria: Filosofando, Prática1 Comentário »

Este fim de semana, ouvi no rádio, o conto que reproduzo a seguir.  Não sei quem é o autor.

O Jovem e as estrelas-do-mar

Numa praia tranqüila, morava um escritor.
Todas as manhãs ele passeava pela praia, olhando as ondas. Esta era sua forma de inspirar-se para escrever.

Um dia, caminhando pela areia, viu um jovem pegando estrelas-do-mar, uma a uma, e jogando-as de volta ao oceano.

- Por que você está fazendo isso? – perguntou o escritor, curioso.

- Não vê que a maré baixou e o sol está brilhando forte? Se essas estrelas ficarem aqui na areia, elas vão secar e morrer!

O escritor até que achou bonita a intenção do garoto,  porém comentou:

- Só que existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, meu caro. Centenas de milhares de estrelas-do-mar devem estar espalhadas por todas essas praias, trazidas pelas ondas. Você aqui, jogando umas poucas de volta ao oceano, que diferença faz?

O jovem olhou para o escritor, pegou mais uma estrela na areia, jogou na água do mar, voltou a olhar para ele e disse:

- Pra essa, eu fiz diferença.

Claro que podemos analisar este conto com um ponto de vista sistêmico e concluir que a variação das marés, a temperatura do sol, a distribuição física das estrelas do mar, entre outros fatores, fazem parte do processo de seleção natural desta espécie. A interferência humana nesses processos (em grande escala), mesmo quando impelida de uma boa intenção, pode causar danos ao equilíbrio natural.

Porém, no caso dos animais abandonados nas nossas grandes cidades, o cenário é bem mais complexo. Para eles, o homem adicionou muitos fatores artificiais ao seu processo de seleção. Enfraqueceu as espécies com suas seleções intencionais (novas raças) e criou um habitat totalmente inóspito para sua sobrevivência. Criou as ’selvas urbanas’, caracterizadas pelas estruturas de cimento, pelos labirintos de asfalto com seus violentos veículos de transporte movidos à combustão e pelo incrível poder de deixar invisíveis, tanto os animais quanto os próprios seres humanos menos privilegiados, além daqueles que utilizam transportes ativos (bicicletas, pés, etc…).

Neste contexto, considero que a interferência humana não seja um caso de boa ação, mas um dever. Então, como podemos ajudar?

  • Podemos contribuir com associações que cuidam de animais abandonados (existem MUITAS formas de contribuir e muitas delas não envolvem transferências financeiras);
  • Devemos denunciar maus tratos;
  • Podemos nos candidatar à adoção destes animais;

Entendo que as duas primeiras ações podem ser exercidas por qualquer pessoa. Já a terceira opção só deve ser escolhida por pessoas que, realmente, entendem o que é ter um animal sobre sua guarda. O animal não é um objeto para despejarmos nossos desejos e ansiedades, mas um ser vivo para nos relacionarmos, compartilhando carinho e amor (incondicional?).

Bom…
Para quem se sente preparado para este tipo de relacionamento e para todos que desejam ajudar das várias formas possíveis, seguem algumas associações engajadas no tema:

Para encerrar este post eu gostaria de deixar duas frases que encontrei na internet, nestes últimos dias:

A questão não é “Eles são racionais?” ou “Eles podem falar?” mas “Eles podem sofrer?” – Jeremy Bentham

A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser medidos pela forma como os animais são tratados – Gandhi

ELES AGRADECEM…..

dogs

Revolução sim, violência não!

Por luciane • 22 dez 2008 • Categoria: FilosofandoNão há Comentários »

Acho que algumas atitudes ativistas são essenciais para sensibilizar, para tocar mais fundo o coração das pessoas, de modo que elas possam sair do seu estado de inércia e iniciar um movimento mais pró ativo e mais consciente. Acho que devemos assumir a responsabilidade de proteger o planeta, mas sou completamente contra a violência em todos os casos.

Não devemos confundir ATIVISMO com “EXTREMISMO”. Invadir e destruir espaços privados ou públicos (como no episódio ocorrido, na USP, em novembro), machucar pessoas em prol da causa ambiental, não se justifica. Acredito que atitudes como estas não ajudam a sensibilizar as pessoas. Atitudes como estas não promovem mudança de pensamento e atitude, pelo contrário, só alimenta a discórdia.

Será que devemos defender o meio ambiente com a mesma ARROGÂNCIA e INTOLERÂNCIA daqueles que se jugam donos da verdade?

Acho que, mesmo defendendo o planeta, não devemos nos julgar donos da razão e achar que nossa forma de viver e ver o mundo é melhor do que a dos outros.
Concordo plenamente com o Path Adams, o médico que inspirou o filme “O amor é contagioso” que, em entrevista exibida no Roda Viva da cultura, disse “… se não mudarmos de uma sociedade que venera o dinheiro e o poder para uma sociedade que venere a compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano …”  Acho que é neste tipo de ATIVISTA que devemos nos espelhar.
Se você está se perguntando “O que este cara tem a ver com meio ambiente?”. Então, assista a entrevista completa!

Entrevista com Path Adams no Roda Viva:
parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6, parte 7, parte 8, parte 9, parte 10

Pretendemos sim, com nossas idéias, despertar uma revolução, mas uma revolução interna onde cada indivíduo possa repensar e modificar suas atitudes. Uma revolução pacífica.
Estamos aqui para sensibilizar, discutir pontos de vista, repensar atitudes e trocar experiências. Não estamos aqui para ditar o certo, mesmo porque nós também não temos as respostas.
Mais do que para ensinar com nossas experiências, estamos aqui buscando ter a humildade necessária para aprender com os erros, com a diferença, com a diversidade de opiniões.
Então, deixe sua opinião sobre o assunto. Você é a favor ou contra atitudes “extremistas” para defender o meio ambiente?

Consumo consciente como exercício de cidadania

Por ricardo • 17 dez 2008 • Categoria: Blogagem Coletiva, Consumo, Filosofando7 Comentários »

Quando o blog “A vida como a vida quer” divulgou a Blogagem Coletiva sobre Consumo Consciente, eu fiquei muito animado. Considero este assunto extremamente importante, pois entendo que, por meio de nossas escolhas de consumo, efetivamente, transformamos o mundo à nossa volta.

É comum ouvirmos que o voto é a expressão máxima do exercício da cidadania. Que o voto é a ferramenta mais poderosa nas mãos do cidadão comum. Não discordo completamente destas afirmações, porém, considero que nossas escolhas de consumo constituem uma ferramenta mais efetiva.

Durante as eleições, destinamos (ou deveríamos destinar) nossos votos a aqueles candidatos que consideramos (baseado em seu histórico, suas promessas, relações políticas, etc…) mais capazes de promover as mudanças que achamos importante para nossa comunidade (país, estado, cidade, planeta, etc…).
Quando elegemos um candidato, transferimos nosso poder de escolha (política). Ele será nosso representante nas decisões que afetarão nossa comunidade, durante os próximos 4 anos. Se, durante este período, este político decidir deixar de nos representar (pois mudou suas opiniões, ou mentiu sobre elas), teremos o poder de rejeitá-lo, nas próximas eleições (daqui a 4 anos). Claro que, para isso, precisamos lembrar em quem votamos, o que não é muito comum.

Quando consumimos um determinado bem (produto, serviço ou informação), estimulamos, em primeira instância, sua permanência no mercado. Estimulamos, também, uma rede de processos sócio-ambientais, relacionadas ao seu ciclo de vida (produção, distribuição, consumo, descarte, entre outros) que, efetivamente, transformam a comunidade em que vivemos (localmente e/ou globalmente). Portanto, da mesma forma que o voto, nossas escolhas de consumo têm um poder transformador sobre a sociedade. Mas, diferentemente do voto, este poder pode ser exercido várias vezes ao dia. Se a instituição responsável pela produção do bem, não tem os valores e o comportamento que achamos corretos, podemos rejeitá-la na próxima ida ao mercado, mudando de canal ou estimulando outras pessoas a não consumi-la.

  • Qual seria o impacto sobre o meio-ambiente se, efetivamente, reduzíssemos a utilização de água, luz e outros recursos, dentro da nossa casa?
  • Qual seria o impacto na linha produtivas das empresas se, efetivamente, nos recusássemos a comprar de quem polui, utiliza de trabalho infantil ou abusa de seus funcionários?
  • Qual seria a reação de quem produz com baixa qualidade, com alto grau de obsolência e com prejuízos sócio-ambientais se, efetivamente, nos preocupássemos em consumir bens de consumo duráveis e sustentáveis?
  • Qual seria o impacto sobre as oportunidades no campo, na segurança alimentar da comunidade, na saúde pública, nas decisões políticas sobre reforma agrária, no preço do alimento se, efetivamente, consumíssemos de produtores locais e orgânicos, por exemplo?
  • Do que viveriam pessoas e instituições corruptas que encurtam ou desviam os procedimentos legais se, efetivamente, não utilizássemos seus serviços (como a propina que acelera procedimentos burocráticos ou nos tira de situações comprometedoras)?
  • Qual seria o reflexo sobre a violência se, efetivamente, deixássemos de comprar produtos roubados e pirateados ou de utilizar as chamadas “drogas leves”, que financiam o crime organizado?
  • E, por fim, qual seria o impacto sobre nossa sociedade se, efetivamente, percebêssemos que, a partir de nossas decisões de consumo, que temos que tomar várias vezes ao dia, temos o poder de reformar a sociedade em que vivemos?

Portanto, acredito que o ato de consumir é o verdadeiro poder transformador do cidadão e, como tal, deve ser exercido da forma mais racional e consciente possível.

Para deixar mais claro o papel fundamental do ciclo de vida de um bem de consumo, na transformação de nossa sociedade, assista o documentário “A História das coisas” (de Annie Leonard) ou acesse o site do instituto Akatu (contém o melhor artigo sobre consumo consciente que eu já li).

Mas o que é o consumo consciente? Consumo consciente é o equilíbrio entre a satisfação pessoal e a sustentabilidade.
Um bem sustentável se entende por um bem com um ciclo de vida ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável [vide Akatu - Consumo Consciente]. Portanto, consumir conscientemente é estar sempre atento a estes aspectos.

É muito importante notar que a decisão de consumo, na maioria das vezes, acontece em frações de segundo e que, normalmente, a razão tem pouca (ou nenhuma) participação neste processo, como afirma uma pesquisa apresentada em um artigo recente da revista Veja. Esta pesquisa aponta, também, as estratégias utilizadas pelos fornecedores para estimular (com apelo emocional – impulsividade, emoção, sentidos) nossa decisão de compra (aromas artificiais, sensação de negócio imperdível, o status que este produto proporciona, etc…etc…etc…).
A obsolência é outra arma muito utilizado no mercado e, talvez, seja o principal mecanismo de consumo inconsciente (obsolência planejada – o produto é feito para durar pouco; obsolência aparente – tem sempre um modelo novo deixando o seu produto, recém adquirido, ‘fora de moda’).
Porém, para que o consumo seja consciente temos a difícil (porém fundamental) tarefa de exercitar a razão durante todo este processo.

Para exercer este poder, com liberdade, devemos tomar o controle sobre nossas decisões (sua decisão, seu julgamento, o que você quer versus o que eles querem que você queria).

Ah…Não podemos esquecer que o ato de consumir menos (consumindo somente o que é necessário, por exemplo) é, talvez, a mais eficiente entre as opções de consumo consciente. Para tanto, Repense, Reduza, Reutilize e Recicle.

Apesar da grande importância das conferências, tratados e protocolos internacionais (Kyoto, COP14, RIO92,…) e suas metas, penso que devemos deixar o lugar de espectador e assumir o papel de protagonista desta história. Vamos criar nossas metas.
Chega de esperar as grandes metas coletivas (elas devem refletir nossas pequenas metas pessoais)! Chega de esperar uma solução vinda de cima!
Nós podemos começar a mudar, AGORA!

Por mais que nossa sociedade insista em passar a impressão de que não somos capazes disso, acredite, somos os únicos com este poder.

Quem sabe, daqui a alguns anos, não seremos mais chamados de Sociedade de Consumo, mas seremos lembrados como a Sociedade de Abundância. E que esta abundância seja, principalmente, de felicidade.

Referências:
1 – A História das coisas – Annie Leonard;
2 – Instituto Akatu;
3 – “Anatomia do consumo” de Camila Pereira e Marcos Todeschini – Revista Veja – 17 de dezembro de 2008.

Como um peixe fora d’água.

Por luciane • 3 dez 2008 • Categoria: Filosofando, Prática4 Comentários »

Peixe fora d'aguaA idéia de fazer um Blog nasceu da necessidade de mudanças.
Eu costumo dizer que me engajar e viver de forma mais sustentável não foi uma escolha, mas sim uma necessidade.
Eu até costumava ter um discurso bonitinho de ecologicamente correto e de amor ao próximo, mas confesso que mantinha as mesmas atitudes alienadas e egoístas de sempre. Eu até queria fazer ações solidárias, mas estava sempre muito ocupada tentando tirar o meu da reta e ganhar o pão nosso de cada dia. Assim, a mudança de atitude ficava só no discurso mesmo.
Justificativas para me manter neste estado de inércia…Ah…eu tinha várias: “Agora eu estou muito cansada.” “Agora eu estou muito ocupada.” “Eu gostaria, mas nunca tenho tempo.” “Eu trabalhei muito, então eu mereço.”

Somente quando eu vi em um beco sem saída é que eu parei para repensar minha vida, minhas escolhas, meu comportamento, minhas atitudes. Foi então que comecei a compreender muitas coisas sobre mim e sobre o meio onde vivemos.
Hoje, me sinto um ser completamente desajustado, mas como disse Jiddu Krishnamurt “Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”.

Me sinto caminhando na contra mão. Vagando atrás de respostas. Acredito que é normal ficar atordoado diante de uma grande mudança.

O texto “Alegoria da caverna” uma reflexão de Platão contada por Jostein Gaarder no livro “O Mundo de Sofia” reflete como me sinto neste momento. Como se tivesse acreditado em uma grande mentira. Uma grande ilusão. O que faço agora? Eu também não sei, mas Já tomei este caminho sem volta.

Neste Blog vamos contar a nossa história de transformação. Nele vamos compartilhar pensamentos e atitudes, vídeos, músicas, livros e experiências que nos transformaram e motivaram a nossa busca por viver de forma sustentável. Nossa busca por indepenência (do sistema?). SER LIVRE!

Quem sabe através de nossa experiência você também se sinta motivado a repensar seus valores e atitudes que poderão transformar nosso mundo em algo melhor, com mais amor, mais qualidade de vida, mais harmônia com a natureza.

Você  que também está em busca da sua liberdade e, assim como nós, acredita que viver sustentávelmente é a única forma de ser verdadeiramente livre, junte-se a nós expondo sua opnião e suas experiências.

Diário de bordo…

Por ricardo • 3 dez 2008 • Categoria: Filosofando, Prática2 Comentários »

“Espaço…a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de 5 anos, para explorar novos e estranhos mundos, pesquisar novas formas de vida e novas civilizações, audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve…”
(Abertura do seriado de TV ‘Jornada nas Estrelas’: http://br.youtube.com/watch?v=MyuHaY_VA9o)

Ok…Ok… Este blog não é sobre viagens espaciais. Mas, de certa forma, irá explorar novos e estranhos mundos, civilizações (novas, para mim) e, com certeza, novas formas de vida… Coincidentemente, também é o registro de um projeto de 5 anos.

Mas, diferentemente das viagens da Enterprise, será uma viagem dentro dos limites do nosso planeta. Será uma viagem de volta, essencialmente…de reintegração com a natureza…através de uma mudança de hábitos e percepções.

Que mudanças são essas?

Durante os próximos 5 anos, vou me dedicar (ESTUDANDO, COMPARTILHANDO experiências e, principalmente, PRATICANDO) à experimentação de práticas voltadas à redução, drástica, do meu IMPACTO AMBIENTAL, além de estudar técnicas sustentáveis para o suprimento de necessidades básicas (alimentação, água, energia, …). Vou me dedicar a romper as amarras de dependência que me prendem à uma maneira consumista de viver, para viabilizar uma futura vida comunitária, ecológica, auto-sustentável e cooperativa.

“Mudar meus hábitos…Trocar o evangélio do consumo pelo da natureza”

Qual a motivação para estas mudanças?

Algum tempo atrás, decidi (se é que a gente decide estas coisas) que meu destino seria viver em uma comunidade sustentável. Mais do que isso, VIVER de forma sustentável em CONTATO direto com a natureza. Por que? Porque eu quero que toda a minha energia (trabalho) esteja concentrada em 3 atividades principais:

  1. Auto-sustentabilidade da comunidade (trabalhar na terra, na sustentabilidade da comunidade – comida, água, moradias, etc…);
  2. Desenvolvimento de novas soluções sustentáveis (soluções para o dia a dia  – rural e urbano – e principalmente para as comunidades com mais necessidades);
  3. Educação sócio ambiental e trabalho cooperativo com as comunidades em torno da comunidade (região de influência – multiplicadores – rede de bem estar)…

Hoje em dia, meu trabalho está completamente voltado para minha ’sobrevivência’, pois neste mundo altamente competitivo, a energia necessária para se manter um relativo padrão de vida é extremamente elevada. O problema estaria relacionado com o que consideramos um ‘relativo padrão de vida’? Acredito que sim. Portanto, estou em busca de um novo padrão, novo paradigma, onde minhas necessidades são supridas, mas minha energia seja depositada em atividades que realmente considero importantes, para o planeta e, conseqüentemente, para a humanidade.

Talvez eu tenha sido, um pouco, influenciado pelas filosofias orientais (sou – aliás, tento ser – adepto das ensinamentos de Buda e Gandhi), somada a minha admiração pelo pensamento sistêmico (culpa de Fritjof Capra). Mas, com certeza, o que mais me cativou, foi o contato com a permacultura, que me parece ser uma forma de praticar e experimentar os outros dois conceitos (não que a permacultura tenha qualquer relação direta com a doutrina de Buda, além da sua forma de enxergar o mundo, principalmente em relação a interdependencia de todas as coisas. Já o pensamento sistêmico é um dos pilares da permacultura).

A permacultura apresenta (e desenvolve, continuamente) soluções que nos permite suprir (será?), sustentavelmente, todas as nossas necessidades básicas (alimentação, moradia, higiene, entretenimento, etc…).

“Estranhos mundos”, “novas civilizações”, “novas formas de vida”?

Ao citar os “estranhos mundos” e as “civilizações” estou me referindo aos pilares da permacultura, pois esta ciência utiliza a sabedoria de civilizações pré-industriais e os padrões da natureza (‘estranhos mundos’) como base de suas soluções. Quando digo “novas formas de vida”, digo porque sou paulistano e cimento não é vivo.

Mas, por que 5 anos?

O tempo deste processo de transformação foi escolhido quase que arbitrariamente. Acho que ‘5 anos’ não pode ser chamado de curto prazo (este processo não pode ser feito às pressas), nem de longo prazo (tem que ser feito um dia…rs), e eu precisava de um número, pelo menos como uma baliza temporal, para organizar os pensamentos. Pode ser necessário mais tempo, ou menos. Isso importa pouco…pois o mais importante é aproveitar a viagem…

Mas, afinal, o que pretendo escrever neste blog?

Meu intuito é criar um registro (um diário de bordo) das experiências obtidas durante este processo de transformação, além de compartilhar idéias e sugestões, com pessoas que estejam trilhando caminhos similares (como, por exemplo, minha esposa, a Lu) ou que tenham intenção de fazê-lo, algum dia.

Talvez essa ‘viagem’ toda não me leve a lugar algum. Mas eu, realmente, acredito que não importa onde ela me levará, o que importa é que eu estou trilhando esse caminho, com meus próprios pés…e se, como de costume,  procuramos um propósito para vida, sinto que este seja um propósito adequado.

Seja bem vindo à ‘nave estelar’…a caminho do desconhecido…rs…

ATUALIZADO:

  1. Alguns dias após escrever este post, conheci o site NO IMPACT MAN. Neste blog, o autor descreve as experiências obtidas em sua jornada, que chamou de NO IMPACT EXPERIMENT. Durante um ano, ele, sua esposa, sua filha de 2 anos e seu cachorro, morando no meio da cidade de Nova York, tentam viver sem causar impacto ao meio ambiente. Vale acompanhar (em inglês)!
  2. Todos os posts, relacionados às experiências práticas as quais me referi neste post, receberão a categoria ‘PRÁTICA‘, para reuní-los em um só grupo.