“Não somos ricos pelo que temos, mas sim pelo que não precisamos ter” - Emmanuel Kant

Posts da categoria ‘Consumo’

Cestas Natalinas

Por luciane • 7 nov 2009 • Categoria: Arte & Reciclagem, Como Fazer, Consumo, PráticaNão há Comentários »

Neste natal, aproveite as dicas de reciclagem para fazer lindos arranjos natalinos.
Segue abaixo algumas dicas para reciclagem de jornal e reaproveitamento de fitas e enfeites do natal passado.

cesta grande
A cesta foi feitas com canudos de jornal pintados com guache e decoradas com fitas, pinhas, bolas de natal e bombons.

cesta pq.2jpg
Cesta de natal pequena, feita com canudos de jornal pintados com guache e decorada com fitas e enfeites natalinos reaproveitados.

Boas idéias para o reaproveitamento de materiais

Por luciane • 7 nov 2009 • Categoria: Arte & Reciclagem, Como Fazer, Consumo, Prática2 Comentários »

Porta Jóias feito com canudos de jornal pintados com tinta guache verde e branca.

O que é nota fiscal paulista?

Por luciane • 7 nov 2009 • Categoria: Consumo, PráticaNão há Comentários »

fazendaspgov

Em outubro de 2007 o Governo do Estado de São Paulo criou o Programa de Estímulo à Cidadania Fiscal através do projeto da Nota Fiscal Paulista com o objetivo de incentivar aos cidadãos (consumidores) o hábito de exigir do estabelecimento comercial o documento fiscal (a nota ou o cupom fiscal). Segundo o governo, os consumidores identificados pelo CPF ou CNPJ, no momento da compra, vão receber créditos e ainda vão se habilitar a concorrer a prêmios.

Toda vez que vamos pagar nossas compras em um estabelecimento comercial, o caixa nos pergunta:  Vai querer nota fiscal paulista?
Nós, morrendo de pressa, respondemos mais que depressa: NÃO! Como quem diz a opção mais rápida minha filha.
Depois, nos queixamos que o sistema não funciona e colocamos a culpa toda sempre nos políticos, nas empresas ou no outro. Quando é que vamos assumir nossas responsabilidades?

Não estou aqui defendendo nenhum político ou empresa, só estou alertando que o mundo nunca vai melhorar se você não fizer a sua parte. Se nós sempre acharmos que a nossa atitude e a nossa postura diante da vida não vai mudar o “sistema” e continuarmos a fazer a coisa errada só porque todo mundo faz, o mundo realmente não vai mudar nunca.
Você não vai ficar rico pedindo a nota fiscal paulista, mas com certeza vai ajudar a combater a sonegação de empresas. E quem sabe, se tivermos um pouco de boa vontade política, este dinheiro vai ser bem investido.

Eu sei que aqui no Brasil nem sempre as perspectivas são boas, mas se nos apoiarmos nisto para fazer a coisa errada, o Brasil nunca vai mudar mesmo. Por isso, exerça sua cidadania. Faça sua parte. Se cada um de nós fizermos a nossa parte, a mudança será inevitável.

Eu ainda acredito que podemos construir uma história diferente, com mais justiça, mais igualdade, mais solidariedade, mais qualidade de vida, mais amor. Somos vítimas de nossas próprias atitudes. Se nossas atitudes nos trouxeram até aqui porque elas não podem nós conduzir a um futuro melhor?

EXERÇA SUA CIDADANIA

Primeiro você deve fazer uma solicitação de cadastramento
Toda vez que você for às compras solicite a nota fiscal paulista.

https://www.nfp.fazenda.sp.gov.br/login.aspx

CPF – Solicitação de cadastramento
Você pode consultar seus créditos através do site da receita.

Informações:

http://www.brasiltech.net/informatiquez/2008/02/15/nota-fiscal-paulista-saiba-como-funciona-e-ganhe-dinheiro-exigindo-seus-direitos/

Esta é minha opinião hoje, não tenho um conceito fechado sobre nenhum assunto, assim eu posso mudar de idéia se você me der bons argumentos para isto. Espero que vocês contribuam com sua opinião!

Consumo local e agroecológico – saúde e solidariedade são os pratos do dia (parte 2)

Por ricardo • 16 mai 2009 • Categoria: Consumo, Filosofando, Prática4 Comentários »

Continuando o post anterior, eu gostaria de abordar as bases estruturais e as dificuldades enfrentadas, discutidas no evento “Troca de experiências entre alianças urbano-rurais”, promovido pelo SESC-Piracicaba.

Sobre as redes de produção e consumo…

As bases estruturais, comuns, entre as redes de produção e consumo de produtos locais agroecológicos, apresentadas neste debate, foram:

  • Formação de rede de produtores locais (fornecedores);
  • Formação de núcleo de consumos (consumidores);
  • Respeito aos princípios da agroecologia, da economia solidária, do comércio justo e do consumo responsável;

Muitos aspectos deste debate me chamaram atenção e, aqui, destaco alguns deles:

  • Muitos produtores da rede não são certificados como produtores orgânicos (pelo custo da certificação, acesso às informações, entre outros motivos). Porém, durante o processo de incubação destes produtores, eles são examinados, instruídos e monitorados, garantindo, assim, a boa procedência de seus produtos;
  • Achei muito interessante um comentário de uma das produtoras rurais que fazem parte da rede de Piracicaba (correção: esta produtora se chama Ana , faz parte da rede de São Paulo e pertence ao projeto Mãos e Mentes de Parelheiros): “Não é porque você não estuda que você vai para a roça, para ir para a roça você tem que estudar” – mostrando sua preocupação com a reciclagem de conceitos, o que é fundamental para a mudança da produção tradicional para a agroecológica;
  • Ficou muito claro, por diversas declarações, que os assuntos agroecologia e solidariedade, são inseparáveis no contexto destas redes;

Algumas das dificuldades…

Algumas dificuldades para manter e ampliar o acesso e a penetração destas redes em nossa sociedade foram discutidas durante o evento. Destaco algumas delas:

  • Ainda não existe uma organização técnica entre estes produtores, e isso é algo que é almejado pela rede de Piracicaba, formada, principalmente, por profissionais de agronomia;
  • O problema de percepção do consumidor. Existe uma idéia comum de que os produtos orgânicos são artigos de luxo. Isso acontece muito porque os produtos orgânicos que temos contato, no dia-a-dia, são aqueles na prateleira do supermercado. Os preços, formados nesta situação, são conseqüência de uma seqüência interminável de atravessadores e custos de transporte e armazenagem. Diferentemente, os produtos agroecológicos locais, comprados diretamente do produtor, têm os seus preços compostos pelo preço do produtor e um elemento de manutenção das redes de distribuição (baseados no conceito da Economia Solidária). Os preços dos produtos orgânicos da rede, portanto, equivalem ao preço dos produtos tradicionais.
  • O problema da expectativa do consumidor (I). Vivemos em uma sociedade que valoriza a estética sobre a saúde. A fantástica aparência dos produtos tradicionais, muitas vezes alcançada por meio da utilização de grande número de substâncias tóxicas, é um atrativo poderoso, aos olhos do consumidor. Alguns produtores optam pela produção tradicional e a utilização de agrotóxicos para adequar sua produção aos padrões de “qualidade” definidos pela mídia e pelo consumidor;
  • O problema da expectativa do consumidor (II). Perdemos a noção dos ciclos naturais. Achamos que a natureza produz qualquer coisa, a qualquer momento, em qualquer quantidade.  A produção agroecológica respeita estes ciclos, portanto, não pode oferecer todos os produtos que o consumidor deseja, na hora que deseja;
  • No caso de Piracicaba, existe uma carência enorme de produtores agroecológicos locais, para formação das redes de produção. Conseqüentemente, a oferta e diversidade de produtos, comercializados pelas redes, ainda são muito pequenas;

Opinião 1…

Gostaria de incluir mais um aspecto que dificulta a adoção de um consumo responsável, destes produtos. Percebi, durante o evento e pela experiência como consumidor da rede, uma tendência à crença de que o consumidor destes produtos tenha que ser um consumidor consciente, engajado e “mente aberta”. Não discordo que, para adotar estas práticas, o sujeito deva estar aberto a experiências. Porém, não acho que estas iniciativas devam mirar somente este perfil. Aliás, eu acho que elas devem privilegiar ações para atingir o “consumidor inconsciente” e cheio de preconceitos (educando e criando estratégias para isso). Pois esta é a grande massa e, se apontarmos para ela, vamos ter uma grande chance de atingir todos os públicos. Digo isso pois deixei de consumir alguns produtos da rede (e consequentemente, comecei a comprar nas grandes redes) pois as dúvidas que enviei, sobre conservação do produto entre outras questões, não foram respondidas. Se queremos formar uma rede de consumidores conscientes temos que tratar muito bem o consumidor. Pois ser inconsciente é MUITO mais fácil.

Opinião 2…

Quanto à falta de diversidade e oferta de produtos orgânicos, eu gostaria de deixar uma idéia no ar… O conceito de horticultura comunitária (horta doméstica e coletiva, urbana ou peri-urbanas, em comunidades carentes) não poderia ser uma solução perfeita para este problema? Além de aumentar a oferta e a diversidade de produtos agroecológicos causaria um enorme efeito social, aumentando a segurança alimentar e a renda destas comunidades carentes.

Você acha que horticultura urbana agroecológica é uma utopia? Então conheça o caso de Cuba, que precisou se adaptar totalmente, após a queda da União Soviética, no chamado Período Especial. Seguem alguns textos e vídeos sobre este assunto:

O exemplo de Cuba
Agroecologia en Cuba (em espanhol): parte 1, parte 2 e parte 3
Urban Food Growing in Havana, Cuba (em inglês)

Para saber mais…

Para saber mais sobre este assunto ou se tornar um consumidor mais saudável e solidário, seguem os dados das redes presentes no evento:

Sementes da Paz (São Paulo):
http://www.moradadafloresta.org/content/blogsection/9/39/
http://atitudeeco.com/site/?page_id=302

Rede de Produção e Consumo Solidário (Piracicaba):
http://www.terramater.org.br/rede

Consumo local e agroecológico – saúde e solidariedade são os pratos do dia (parte 1)

Por ricardo • 15 mai 2009 • Categoria: Consumo, Filosofando, Prática2 Comentários »

Adoro debater sobre atitudes que geram grandes impactos em rede. O consumo de produtos locais agroecológicos é um dos meus assuntos preferidos.

Nos mês passado, participei de um encontro chamado “Troca de experiências entre alianças urbano-rurais”, promovido pelo SESC-Piracicaba. Neste evento estavam presentes a Rede Sementes da Paz (São Paulo), a Rede de Produção e Consumo Solidário (Ong Terramater – Piracicaba), o movimento Slow Food de Piracicaba, alguns produtores rurais, além de vários curiosos (como eu).

A Rede de Produção e Consumo Solidário eu já conhecia, pois compro seus produtos desde que me mudei para Piracicaba. Toda sexta-feira, eu faço minha lista de pedidos e envio pela internet. Toda terça-feira, busco os alimentos locais e agroecológicos, fresquinhos, no ponto de coleta.

A Rede Sementes da Paz eu conheci quando fui comprar as minhocas para o meu vermicompostor, na ecovila urbana Morada da Floresta, que é um dos núcleos de distribuição dos produtos da rede.

Já o Slow Food, que é um movimento de resgate às nossas tradições gastronômicas e das relações humanas relacionadas à alimentação (como reunir a família e os amigos para um jantar), eu só tinha conhecimento por artigos de internet. O Slow Food foi criado na Itália em 1986 e seu nome foi desenvolvido como um protesto ao Fast Food.

Os benefícios do consumo orgânico local…

Os benefícios de uma alimentação orgânica (agro-ecológica, como é preferível chamá-la, atualmente) para a saúde, já é bem difundida. Sabemos que a ausência de elementos provenientes dos pesticidas e os outros agrotóxicos trás grandes benefícios a nossa saúde.

Sabemos, também, que o consumo de produtos agroecológicos locais, tem um importante papel ambiental, seja pela eliminação do uso de substâncias poluentes que desequilibram os ciclos naturais, seja pela redução na emissão de gases relacionados ao aquecimento global (GEE), pois os produtos não precisam de transporte de longa distância.

Porém, os benéficos sociais desta prática, ainda são desconhecido pela grande maioria. Consumir produtos comprados diretamente do produtor aumenta a chance de sobrevivência destas comunidades e famílias que, na ausência destas iniciativas, têm que se submeter às regras absurdas das grandes redes de comercialização e da pressão que os inúmeros atravessadores exercem sobre o preço de venda do seu produto. Os agricultores familiares acabam tendo que pagar para trabalhar e muitos destes acabam, inevitavelmente, interrompendo sua produção (tanto para consumo próprio, quanto para comercialização) em busca de uma nova forma de ganhar a vida. Muitos outros problemas sociais e ambientais podem surgir a partir deste cenário.

Existe um outro aspecto social envolvido no consumo destes produtos, relacionado ao momento da retirada dos produtos encomendados. Todos os consumidores devem buscar seus produtos em um determinado núcleo de distribuição. Esta interação entra consumidores (e alguns produtores) cria algumas relações interessantes e fortalece o grupo, como um todo.

Portanto, consumir produtos agroecológicos locais tem um impacto positivo imenso na rede de relações humanas e ambientais, que formam a nossa realidade.

VAMOS ADERIR A CAUSA?!!

Para saber mais…

Para saber mais sobre este assunto ou se tornar um consumidor mais saudável e solidário, seguem os dados das redes presentes no evento:

Sementes da Paz (São Paulo):
http://www.moradadafloresta.org/content/blogsection/9/39/
http://atitudeeco.com/site/?page_id=302

Rede de Produção e Consumo Solidário (Piracicaba):
http://www.terramater.org.br/rede

Apoie esta idéia! Use sacolas retornáveis.

Por luciane • 14 jan 2009 • Categoria: Arte & Reciclagem, Como Fazer, Consumo, Projetos, Prática1 Comentário »

Nós, que vivemos em São Paulo capital, temos a impressão de que estamos sempre correndo contra o tempo e, por isso, aderimos sem pestanejar a um estilo de vida prático.

O estilo de vida Paulista: comida congelada e industrializada, fast food, supermercados semanais ou diários, lanchinhos fora de casa, guloseimas e, assim, por onde vamos passando vamos consumindo algo que vem sempre acompanhado com uma sacola plástica.

O que fazer com elas?

Na maioria dos casos elas vão parar no lixo convencional, onde contaminam o solo e demoram anos para serem degradadas.
As sacolas plásticas também são, irresponsavelmente, jogadas em ruas e praças públicas. Na época de chuvas fortes, as sacolas plásticas são freqüentemente encontradas boiando nos rios e córregos, obstruindo bueiros e canalizações, prejudicando a vazão da água e favorecendo as enchentes em algumas regiões da cidade.

Vários países estão tomando providências para reduzir o uso destas sacolas ou substituí-las por materiais biodegradáveis que causem menos impacto ao ambiente. Infelizmente, no Brasil nada tem sido feito para minimizar o problema.

Assim, não adianta ficar esperando atitudes do governo. Todos nós temos que assumir nossa responsabilidade na preservação do planeta. Então, não deixe para amanhã. Faça a sua parte!

Dicas para reduzir ao máximo a utilização de sacos e sacolas plásticas:

! SEMPRE UTILIZE SACOLAS RETORNÁVEIS para fazer suas compras.

! Caso seja indispensável o uso de sacolas plásticas, RECICLE AS SACOLAS OU DESTINE A INSTITUIÇÕES DE RECICLAGEM.

! REPENSE SUAS ATITUDES . Se você for a uma loja de conveniência e comprar um chocolate ou um refrigerante, provavelmente, você sairá de lá com uma sacola plástica que irá descartar em menos de 5 minutos. Assim, sempre que necessitar comprar algo, verifique se o produto que você comprou não cabe na sua bolsa ou pode ser carregado na mão e, então, dispense a sacola plástica.

Saiba mais assistindo a reportagem abaixo.

As SACOLAS RETORNÁVEIS já estão disponíveis em vários supermercados, lojas, feiras de artesanato, etc.
Você também pode fazer uma sacola retornável reutilizando as sacolas plásticas.  Croché de Sacolas Plásticas
O Blog ARTE EM RECICLAR também dá várias dicas de onde adquirir sacolas retornáveis e como reciclar sacolas plásticas.

Consumo consciente como exercício de cidadania

Por ricardo • 17 dez 2008 • Categoria: Blogagem Coletiva, Consumo, Filosofando7 Comentários »

Quando o blog “A vida como a vida quer” divulgou a Blogagem Coletiva sobre Consumo Consciente, eu fiquei muito animado. Considero este assunto extremamente importante, pois entendo que, por meio de nossas escolhas de consumo, efetivamente, transformamos o mundo à nossa volta.

É comum ouvirmos que o voto é a expressão máxima do exercício da cidadania. Que o voto é a ferramenta mais poderosa nas mãos do cidadão comum. Não discordo completamente destas afirmações, porém, considero que nossas escolhas de consumo constituem uma ferramenta mais efetiva.

Durante as eleições, destinamos (ou deveríamos destinar) nossos votos a aqueles candidatos que consideramos (baseado em seu histórico, suas promessas, relações políticas, etc…) mais capazes de promover as mudanças que achamos importante para nossa comunidade (país, estado, cidade, planeta, etc…).
Quando elegemos um candidato, transferimos nosso poder de escolha (política). Ele será nosso representante nas decisões que afetarão nossa comunidade, durante os próximos 4 anos. Se, durante este período, este político decidir deixar de nos representar (pois mudou suas opiniões, ou mentiu sobre elas), teremos o poder de rejeitá-lo, nas próximas eleições (daqui a 4 anos). Claro que, para isso, precisamos lembrar em quem votamos, o que não é muito comum.

Quando consumimos um determinado bem (produto, serviço ou informação), estimulamos, em primeira instância, sua permanência no mercado. Estimulamos, também, uma rede de processos sócio-ambientais, relacionadas ao seu ciclo de vida (produção, distribuição, consumo, descarte, entre outros) que, efetivamente, transformam a comunidade em que vivemos (localmente e/ou globalmente). Portanto, da mesma forma que o voto, nossas escolhas de consumo têm um poder transformador sobre a sociedade. Mas, diferentemente do voto, este poder pode ser exercido várias vezes ao dia. Se a instituição responsável pela produção do bem, não tem os valores e o comportamento que achamos corretos, podemos rejeitá-la na próxima ida ao mercado, mudando de canal ou estimulando outras pessoas a não consumi-la.

  • Qual seria o impacto sobre o meio-ambiente se, efetivamente, reduzíssemos a utilização de água, luz e outros recursos, dentro da nossa casa?
  • Qual seria o impacto na linha produtivas das empresas se, efetivamente, nos recusássemos a comprar de quem polui, utiliza de trabalho infantil ou abusa de seus funcionários?
  • Qual seria a reação de quem produz com baixa qualidade, com alto grau de obsolência e com prejuízos sócio-ambientais se, efetivamente, nos preocupássemos em consumir bens de consumo duráveis e sustentáveis?
  • Qual seria o impacto sobre as oportunidades no campo, na segurança alimentar da comunidade, na saúde pública, nas decisões políticas sobre reforma agrária, no preço do alimento se, efetivamente, consumíssemos de produtores locais e orgânicos, por exemplo?
  • Do que viveriam pessoas e instituições corruptas que encurtam ou desviam os procedimentos legais se, efetivamente, não utilizássemos seus serviços (como a propina que acelera procedimentos burocráticos ou nos tira de situações comprometedoras)?
  • Qual seria o reflexo sobre a violência se, efetivamente, deixássemos de comprar produtos roubados e pirateados ou de utilizar as chamadas “drogas leves”, que financiam o crime organizado?
  • E, por fim, qual seria o impacto sobre nossa sociedade se, efetivamente, percebêssemos que, a partir de nossas decisões de consumo, que temos que tomar várias vezes ao dia, temos o poder de reformar a sociedade em que vivemos?

Portanto, acredito que o ato de consumir é o verdadeiro poder transformador do cidadão e, como tal, deve ser exercido da forma mais racional e consciente possível.

Para deixar mais claro o papel fundamental do ciclo de vida de um bem de consumo, na transformação de nossa sociedade, assista o documentário “A História das coisas” (de Annie Leonard) ou acesse o site do instituto Akatu (contém o melhor artigo sobre consumo consciente que eu já li).

Mas o que é o consumo consciente? Consumo consciente é o equilíbrio entre a satisfação pessoal e a sustentabilidade.
Um bem sustentável se entende por um bem com um ciclo de vida ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável [vide Akatu - Consumo Consciente]. Portanto, consumir conscientemente é estar sempre atento a estes aspectos.

É muito importante notar que a decisão de consumo, na maioria das vezes, acontece em frações de segundo e que, normalmente, a razão tem pouca (ou nenhuma) participação neste processo, como afirma uma pesquisa apresentada em um artigo recente da revista Veja. Esta pesquisa aponta, também, as estratégias utilizadas pelos fornecedores para estimular (com apelo emocional – impulsividade, emoção, sentidos) nossa decisão de compra (aromas artificiais, sensação de negócio imperdível, o status que este produto proporciona, etc…etc…etc…).
A obsolência é outra arma muito utilizado no mercado e, talvez, seja o principal mecanismo de consumo inconsciente (obsolência planejada – o produto é feito para durar pouco; obsolência aparente – tem sempre um modelo novo deixando o seu produto, recém adquirido, ‘fora de moda’).
Porém, para que o consumo seja consciente temos a difícil (porém fundamental) tarefa de exercitar a razão durante todo este processo.

Para exercer este poder, com liberdade, devemos tomar o controle sobre nossas decisões (sua decisão, seu julgamento, o que você quer versus o que eles querem que você queria).

Ah…Não podemos esquecer que o ato de consumir menos (consumindo somente o que é necessário, por exemplo) é, talvez, a mais eficiente entre as opções de consumo consciente. Para tanto, Repense, Reduza, Reutilize e Recicle.

Apesar da grande importância das conferências, tratados e protocolos internacionais (Kyoto, COP14, RIO92,…) e suas metas, penso que devemos deixar o lugar de espectador e assumir o papel de protagonista desta história. Vamos criar nossas metas.
Chega de esperar as grandes metas coletivas (elas devem refletir nossas pequenas metas pessoais)! Chega de esperar uma solução vinda de cima!
Nós podemos começar a mudar, AGORA!

Por mais que nossa sociedade insista em passar a impressão de que não somos capazes disso, acredite, somos os únicos com este poder.

Quem sabe, daqui a alguns anos, não seremos mais chamados de Sociedade de Consumo, mas seremos lembrados como a Sociedade de Abundância. E que esta abundância seja, principalmente, de felicidade.

Referências:
1 – A História das coisas – Annie Leonard;
2 – Instituto Akatu;
3 – “Anatomia do consumo” de Camila Pereira e Marcos Todeschini – Revista Veja – 17 de dezembro de 2008.

Minha ação no Aldeia Sustentável

Por ricardo • 7 dez 2008 • Categoria: Consumo, Prática4 Comentários »

Bom…chegou a minha vez de postar a minha ação sustentável pessoal, no Aldeia Sustentável.

Passei um tempo pensando (com meus botões) qual ação eu gostaria de fazer para colocar no Aldeia. Achava que deveria ser uma ação que me desafiasse. As primeiras ações que me vieram a mente, não eram difíceis, pois eu já fazia no meu dia-a-dia.

Sou vegetariano, economizo água e luz, utilizo a bike como meio de transporte principal, tenho um vermicompostor (compostor de minhocas) para reciclar meu lixo orgânico, não utilizo sacolas plásticas… Uhmmm….então o que poderia ser??????

AHHA!!! Lembrei de algo que sempre prometo fazer, gostaria de fazer sustentavelmente, mas que realmente me assusta, só de pensar:

LAVAR LOUÇA… !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! rsrsrsrs

Bom….pesquisei algumas referências na internet. Procurei por soluções já testadas e encontrei muito pouca coisa. Utilizei, como base, o artigo do Instituto Akatu (e um pouco de bom senso) para desenvolver um método inicial.

A. Deixar as louças de molho (para retirar o ‘grosso’);

Durante e após o molho

B. Encher dois baldes (um para o primeiro enxágüe e outro para segundo):

C. Ensaboar (fig. 2) e enxaguar em cada um dos baldes (fig. 3 e 4).

Eu achei que o processo não seria eficiente, porém, as louças ficaram totalmente limpas. Claro…Se uma louça insistir em ficar suja, podemos finalizar sua lavagem com água corrente, mas utilizando o mínimo de água possível. Este processo só é viável se finalizarmos com a mesma higiene (ou superior) a qual obtemos quando lavamos de forma convencional. A água dos baldes deve ser trocada, se estiverem no ponto de sujar mais do que limpar.

Ah…Não pesquisei quanto ao tipo de detergente que devemos utilizar. Se alguém tiver informações sobre este assunto, por favor, me envie que eu adiciono aqui.
Outra coisa…Em um comunidade sustentável, toda a água utilizada neste processo (chamamos de água cinza), seria totalmente reutilizada (utilizando filtros biológicos – vide aqui e aqui).

Bom…essa foi minha ação sustentável para o Aldeia.
Foi um pequeno passo para o homem…mas um grande passo…para mim….rsrs

Espero comentários, críticas e sugestões para podermos evoluir este processo! Após concentrar alguma experiência vou desenvolver um guia esquemático para a (futura) seção ‘Como Fazer‘, do blog.

Abraços

Guias esquemáticos de ‘Como Fazer’

Por ricardo • 4 dez 2008 • Categoria: Como Fazer, Consumo, Prática5 Comentários »

A intenção da seção ‘Como Fazer‘, deste blog, é desenvolver, coletivamente, guias esquemáticos que concentrem experiências obtidas em práticas sustentáveis. Os seguintes itens estão entre os guias que já pensamos em desenvolver:

  • Vermicompostor (compostagem com minhocas);
  • Coleta de água da chuva;
  • Lavagem sustentável de louça;
  • Sabonete e detergente ecológico;
  • Banho sustentável;
  • ?

Tem alguma sugestão de guia esquemático? Comente este post.