'Não podemos solucionar os problemas com o mesmo pensamento que utilizamos para criá-los' - Einstein

Consumo local e agroecológico – saúde e solidariedade são os pratos do dia (parte 1)

Por ricardo • 15 mai 2009 • Categoria: Consumo, Filosofando, Prática2 Comentários »

Adoro debater sobre atitudes que geram grandes impactos em rede. O consumo de produtos locais agroecológicos é um dos meus assuntos preferidos.

Nos mês passado, participei de um encontro chamado “Troca de experiências entre alianças urbano-rurais”, promovido pelo SESC-Piracicaba. Neste evento estavam presentes a Rede Sementes da Paz (São Paulo), a Rede de Produção e Consumo Solidário (Ong Terramater – Piracicaba), o movimento Slow Food de Piracicaba, alguns produtores rurais, além de vários curiosos (como eu).

A Rede de Produção e Consumo Solidário eu já conhecia, pois compro seus produtos desde que me mudei para Piracicaba. Toda sexta-feira, eu faço minha lista de pedidos e envio pela internet. Toda terça-feira, busco os alimentos locais e agroecológicos, fresquinhos, no ponto de coleta.

A Rede Sementes da Paz eu conheci quando fui comprar as minhocas para o meu vermicompostor, na ecovila urbana Morada da Floresta, que é um dos núcleos de distribuição dos produtos da rede.

Já o Slow Food, que é um movimento de resgate às nossas tradições gastronômicas e das relações humanas relacionadas à alimentação (como reunir a família e os amigos para um jantar), eu só tinha conhecimento por artigos de internet. O Slow Food foi criado na Itália em 1986 e seu nome foi desenvolvido como um protesto ao Fast Food.

Os benefícios do consumo orgânico local…

Os benefícios de uma alimentação orgânica (agro-ecológica, como é preferível chamá-la, atualmente) para a saúde, já é bem difundida. Sabemos que a ausência de elementos provenientes dos pesticidas e os outros agrotóxicos trás grandes benefícios a nossa saúde.

Sabemos, também, que o consumo de produtos agroecológicos locais, tem um importante papel ambiental, seja pela eliminação do uso de substâncias poluentes que desequilibram os ciclos naturais, seja pela redução na emissão de gases relacionados ao aquecimento global (GEE), pois os produtos não precisam de transporte de longa distância.

Porém, os benéficos sociais desta prática, ainda são desconhecido pela grande maioria. Consumir produtos comprados diretamente do produtor aumenta a chance de sobrevivência destas comunidades e famílias que, na ausência destas iniciativas, têm que se submeter às regras absurdas das grandes redes de comercialização e da pressão que os inúmeros atravessadores exercem sobre o preço de venda do seu produto. Os agricultores familiares acabam tendo que pagar para trabalhar e muitos destes acabam, inevitavelmente, interrompendo sua produção (tanto para consumo próprio, quanto para comercialização) em busca de uma nova forma de ganhar a vida. Muitos outros problemas sociais e ambientais podem surgir a partir deste cenário.

Existe um outro aspecto social envolvido no consumo destes produtos, relacionado ao momento da retirada dos produtos encomendados. Todos os consumidores devem buscar seus produtos em um determinado núcleo de distribuição. Esta interação entra consumidores (e alguns produtores) cria algumas relações interessantes e fortalece o grupo, como um todo.

Portanto, consumir produtos agroecológicos locais tem um impacto positivo imenso na rede de relações humanas e ambientais, que formam a nossa realidade.

VAMOS ADERIR A CAUSA?!!

Para saber mais…

Para saber mais sobre este assunto ou se tornar um consumidor mais saudável e solidário, seguem os dados das redes presentes no evento:

Sementes da Paz (São Paulo):
http://www.moradadafloresta.org/content/blogsection/9/39/
http://atitudeeco.com/site/?page_id=302

Rede de Produção e Consumo Solidário (Piracicaba):
http://www.terramater.org.br/rede

ricardo é analista de sistemas, praticante de Kung Fu, ambientalista EM FORMAÇÃO em processo de 'desentortamento' de valores
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2 comentários »

  1. [...] o post anterior, eu gostaria de abordar as bases estruturais e as dificuldades enfrentadas, discutidas no evento [...]

  2. Olá Ricardo,

    Gostaria de um esclarecimento, na verdade uma troca de idéias, a respeito de dois conceitos: AGROECOLOGIA e PRODUTOS ORGÂNICOS.

    Recentemente tive a oportunidade de participar de um grupo de discussão a respeito da Agroecologia (O GD aconteceu no último ENEB-Encontro Nacional de Estudantes de Biologia em Londrina-PR), onde discutimos profundamente as mais diversas percepções de Agroecologia propostas pelos participantes do GD.

    Caracterizamos a produção orgânica (aquela livre de produtos químicos sintéticos) como sendo um conjunto de técnicas de produção que visam a saúde humana e ambiental, portanto de grande necessidade e urgência para a atual conjuntura alimentar mundial.

    Já a Agroecologia teria uma concepção mais ampla, abrangendo sim as técnicas orgânicas, porém dando margem para discussões a respeito do que-fazer agroecológico. Entendemos a Agroecologia como uma ferramenta para transformações sociais profundas. Entram neste jogo as relações inter-humanas (de trabalho, afetivas, sociais..), as relações do homem com a natureza e os valores que irão subsidiar a construção de uma “nova sociedade”.

    A discussão pode aparentar ser apenas semântica. Mas ela se mostra importante frente a apropriação destas técnicas pelo capitalismo. Hoje em dia é comum vermos as classes sociais mais favorecidas consumirem orgânicos e bioconstruirem enormes mansões. Isto se dá graças aos limites de disseminação das técnicas (os cursos de permacultura muitas vezes se dão mediante a um investimento exorbitante). O que assistimos então são práticas teoricamente viáveis a todos assumindo feições burguesas.

    Será esta a Agroecologia que estamos construindo e defendendo??

    Abç, bom final de semana
    Marcelinho

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