'Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.' - J. Krishnamurti

Os animais abandonados são nossa responsabilidade!

Por ricardo • 25 jan 2009 • Categoria: Filosofando, Prática1 Comentário »

Este fim de semana, ouvi no rádio, o conto que reproduzo a seguir.  Não sei quem é o autor.

O Jovem e as estrelas-do-mar

Numa praia tranqüila, morava um escritor.
Todas as manhãs ele passeava pela praia, olhando as ondas. Esta era sua forma de inspirar-se para escrever.

Um dia, caminhando pela areia, viu um jovem pegando estrelas-do-mar, uma a uma, e jogando-as de volta ao oceano.

- Por que você está fazendo isso? – perguntou o escritor, curioso.

- Não vê que a maré baixou e o sol está brilhando forte? Se essas estrelas ficarem aqui na areia, elas vão secar e morrer!

O escritor até que achou bonita a intenção do garoto,  porém comentou:

- Só que existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, meu caro. Centenas de milhares de estrelas-do-mar devem estar espalhadas por todas essas praias, trazidas pelas ondas. Você aqui, jogando umas poucas de volta ao oceano, que diferença faz?

O jovem olhou para o escritor, pegou mais uma estrela na areia, jogou na água do mar, voltou a olhar para ele e disse:

- Pra essa, eu fiz diferença.

Claro que podemos analisar este conto com um ponto de vista sistêmico e concluir que a variação das marés, a temperatura do sol, a distribuição física das estrelas do mar, entre outros fatores, fazem parte do processo de seleção natural desta espécie. A interferência humana nesses processos (em grande escala), mesmo quando impelida de uma boa intenção, pode causar danos ao equilíbrio natural.

Porém, no caso dos animais abandonados nas nossas grandes cidades, o cenário é bem mais complexo. Para eles, o homem adicionou muitos fatores artificiais ao seu processo de seleção. Enfraqueceu as espécies com suas seleções intencionais (novas raças) e criou um habitat totalmente inóspito para sua sobrevivência. Criou as ‘selvas urbanas’, caracterizadas pelas estruturas de cimento, pelos labirintos de asfalto com seus violentos veículos de transporte movidos à combustão e pelo incrível poder de deixar invisíveis, tanto os animais quanto os próprios seres humanos menos privilegiados, além daqueles que utilizam transportes ativos (bicicletas, pés, etc…).

Neste contexto, considero que a interferência humana não seja um caso de boa ação, mas um dever. Então, como podemos ajudar?

  • Podemos contribuir com associações que cuidam de animais abandonados (existem MUITAS formas de contribuir e muitas delas não envolvem transferências financeiras);
  • Devemos denunciar maus tratos;
  • Podemos nos candidatar à adoção destes animais;

Entendo que as duas primeiras ações podem ser exercidas por qualquer pessoa. Já a terceira opção só deve ser escolhida por pessoas que, realmente, entendem o que é ter um animal sobre sua guarda. O animal não é um objeto para despejarmos nossos desejos e ansiedades, mas um ser vivo para nos relacionarmos, compartilhando carinho e amor (incondicional?).

Bom…
Para quem se sente preparado para este tipo de relacionamento e para todos que desejam ajudar das várias formas possíveis, seguem algumas associações engajadas no tema:

Para encerrar este post eu gostaria de deixar duas frases que encontrei na internet, nestes últimos dias:

A questão não é “Eles são racionais?” ou “Eles podem falar?” mas “Eles podem sofrer?” – Jeremy Bentham

A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser medidos pela forma como os animais são tratados – Gandhi

ELES AGRADECEM…..

dogs

ricardo é analista de sistemas, permacultor EM FORMAÇÃO, em processo de 'desentortamento' de valores
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1 comentário »

  1. A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser medidos pela forma como os animais são tratados – Gandhi

    Muito boa a frase, concordo plenamente.
    Se uma especie não respeita as demais, não pode se esperar que ela respeite a sí mesma.

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