'Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.' - J. Krishnamurti

Alegoria da caverna

Por luciane • 5 dez 2008 • Categoria: Textos1 Comentário »

“Imagine um grupo de pessoas que habitam o interior de uma caverna subterrânea. Elas estão de costas para a entrada da caverna e acorrentadas no pescoço e nos pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás deste muro passam figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras bruxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este teatro de sombras. E como se as pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são as única coisa que existe. Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vem aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. O que você acha que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz, mas depois de esfregar os olhos, ele verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede não passavam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede. Agora o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso, ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sobras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe…”

Platão (contada por Jostein Gaarder no livro “O Mundo de Sofia”)

luciane é Bióloga com doutorado em Biologia Celular e Molecular pela USP
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1 comentário »

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