Diário de bordo…
Por ricardo • 3 dez 2008 • Categoria: Filosofando, Prática • 2 Comentários »
“Espaço…a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de 5 anos, para explorar novos e estranhos mundos, pesquisar novas formas de vida e novas civilizações, audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve…”
(Abertura do seriado de TV ‘Jornada nas Estrelas’: http://br.youtube.com/watch?v=MyuHaY_VA9o)
Ok…Ok… Este blog não é sobre viagens espaciais. Mas, de certa forma, irá explorar novos e estranhos mundos, civilizações (novas, para mim) e, com certeza, novas formas de vida… Coincidentemente, também é o registro de um projeto de 5 anos.
Mas, diferentemente das viagens da Enterprise, será uma viagem dentro dos limites do nosso planeta. Será uma viagem de volta, essencialmente…de reintegração com a natureza…através de uma mudança de hábitos e percepções.
Que mudanças são essas?
Durante os próximos 5 anos, vou me dedicar (ESTUDANDO, COMPARTILHANDO experiências e, principalmente, PRATICANDO) à experimentação de práticas voltadas à redução, drástica, do meu IMPACTO AMBIENTAL, além de estudar técnicas sustentáveis para o suprimento de necessidades básicas (alimentação, água, energia, …). Vou me dedicar a romper as amarras de dependência que me prendem à uma maneira consumista de viver, para viabilizar uma futura vida comunitária, ecológica, auto-sustentável e cooperativa.
“Mudar meus hábitos…Trocar o evangélio do consumo pelo da natureza”
Qual a motivação para estas mudanças?
Algum tempo atrás, decidi (se é que a gente decide estas coisas) que meu destino seria viver em uma comunidade sustentável. Mais do que isso, VIVER de forma sustentável em CONTATO direto com a natureza. Por que? Porque eu quero que toda a minha energia (trabalho) esteja concentrada em 3 atividades principais:
- Auto-sustentabilidade da comunidade (trabalhar na terra, na sustentabilidade da comunidade – comida, água, moradias, etc…);
- Desenvolvimento de novas soluções sustentáveis (soluções para o dia a dia – rural e urbano – e principalmente para as comunidades com mais necessidades);
- Educação sócio ambiental e trabalho cooperativo com as comunidades em torno da comunidade (região de influência – multiplicadores – rede de bem estar)…
Hoje em dia, meu trabalho está completamente voltado para minha ’sobrevivência’, pois neste mundo altamente competitivo, a energia necessária para se manter um relativo padrão de vida é extremamente elevada. O problema estaria relacionado com o que consideramos um ‘relativo padrão de vida’? Acredito que sim. Portanto, estou em busca de um novo padrão, novo paradigma, onde minhas necessidades são supridas, mas minha energia seja depositada em atividades que realmente considero importantes, para o planeta e, conseqüentemente, para a humanidade.
Talvez eu tenha sido, um pouco, influenciado pelas filosofias orientais (sou – aliás, tento ser – adepto das ensinamentos de Buda e Gandhi), somada a minha admiração pelo pensamento sistêmico (culpa de Fritjof Capra). Mas, com certeza, o que mais me cativou, foi o contato com a permacultura, que me parece ser uma forma de praticar e experimentar os outros dois conceitos (não que a permacultura tenha qualquer relação direta com a doutrina de Buda, além da sua forma de enxergar o mundo, principalmente em relação a interdependencia de todas as coisas. Já o pensamento sistêmico é um dos pilares da permacultura).
A permacultura apresenta (e desenvolve, continuamente) soluções que nos permite suprir (será?), sustentavelmente, todas as nossas necessidades básicas (alimentação, moradia, higiene, entretenimento, etc…).
“Estranhos mundos”, “novas civilizações”, “novas formas de vida”?
Ao citar os “estranhos mundos” e as “civilizações” estou me referindo aos pilares da permacultura, pois esta ciência utiliza a sabedoria de civilizações pré-industriais e os padrões da natureza (‘estranhos mundos’) como base de suas soluções. Quando digo “novas formas de vida”, digo porque sou paulistano e cimento não é vivo.
Mas, por que 5 anos?
O tempo deste processo de transformação foi escolhido quase que arbitrariamente. Acho que ‘5 anos’ não pode ser chamado de curto prazo (este processo não pode ser feito às pressas), nem de longo prazo (tem que ser feito um dia…rs), e eu precisava de um número, pelo menos como uma baliza temporal, para organizar os pensamentos. Pode ser necessário mais tempo, ou menos. Isso importa pouco…pois o mais importante é aproveitar a viagem…
Mas, afinal, o que pretendo escrever neste blog?
Meu intuito é criar um registro (um diário de bordo) das experiências obtidas durante este processo de transformação, além de compartilhar idéias e sugestões, com pessoas que estejam trilhando caminhos similares (como, por exemplo, minha esposa, a Lu) ou que tenham intenção de fazê-lo, algum dia.
Talvez essa ‘viagem’ toda não me leve a lugar algum. Mas eu, realmente, acredito que não importa onde ela me levará, o que importa é que eu estou trilhando esse caminho, com meus próprios pés…e se, como de costume, procuramos um propósito para vida, sinto que este seja um propósito adequado.
Seja bem vindo à ‘nave estelar’…a caminho do desconhecido…rs…
ATUALIZADO:
- Alguns dias após escrever este post, conheci o site NO IMPACT MAN. Neste blog, o autor descreve as experiências obtidas em sua jornada, que chamou de NO IMPACT EXPERIMENT. Durante um ano, ele, sua esposa, sua filha de 2 anos e seu cachorro, morando no meio da cidade de Nova York, tentam viver sem causar impacto ao meio ambiente. Vale acompanhar (em inglês)!
- Todos os posts, relacionados às experiências práticas as quais me referi neste post, receberão a categoria ‘PRÁTICA‘, para reuní-los em um só grupo.
ricardo é analista de sistemas, praticante de Kung Fu, ambientalista EM FORMAÇÃO em processo de 'desentortamento' de valores
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Apertando os cintos…
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